Bolo de Cenoura com Café preto.

Bolo de Cenoura com Café preto.

domingo, 25 de agosto de 2013

Em geral, o meu café da manhã.

Hoje, impulsionada pela vontade de documentar minha refeição matutina, ponho aqui o que comi. Este café da manhã não tem uma relação direta com as minhas origens, mas traz alguns itens de um café nordestino. No entanto, já é uma refeição alterada. Alterada porque depois de seis anos morando em quatro lugares diferentes (Aracaju, Florianópolis, Rio de Janeiro e Barcelona), fora a quantidade de lugares (Já perdi a conta) para os quais viajei durante esses anos, o café nordestino, do meu dia-a-dia de Aracaju, jamais poderia ficar intacto. Desse modo, vamos a algumas explicações.

Todos os dias, quando eu acordo, me desperto, vou direto comer. Em geral, acordo com uma fome miserável e preciso comer urgentemente. Em geral, meu "desayuno" tem café preto, nada de leite, pães, queijo e outra coisa. Pode ser presunto, ovos, ou galletas de arroz com geleia, quando tenho vontade de comer algo doce. Hoje era o dia do salgado, então fiz a opção pelo prato seguinte.


Esse aqui é o resultado final do prato que preparei. Temos uma xícara de café, pães com azeite, ovos mexidos, queijos, calabresa, tomares. Desses itens apresentados, aqueles que fazem parte do café da manhã sergipano, ou no mínimo do café da manhã da casa da minha vó, são o café preto, os pães e os ovos. O café preto e os pães nós comemos sempre, todos os dias, sem discussão. Todo dia meu võ desce até a padaria para comprar os pães que vamos comer naquele dia. E, eu sempre como cerca de dois pães toda manhã. O mesmo com o café. A diferença é que na casa do meu võ, sergipano de Simão Dias, o café é solúvel. Os ovos é que não comemos sempre. No lugar deles, substituímos, as vezes, por macaxeira cozida, cuscuz, inhame, e alguma outra coisa que não lembro. A propósito o tradicional café nordestino, voces podem ver aqui, neste enlace http://cuscuznapanela.blogspot.com.es/2009/09/domingo-pe-de-cachimbo.html.

A diferença viria porque neste prato temos tomates cortadinhos e salame. Nem sempre tem salame no café da manhã lá de casa, da casa da minha mãe. Só mesmo quando meu pai vem da feira e deixa alguns na geladeira e eu sempre sorrateira surrupio. Em geral, no lugar do salame temos presunto cozido. Mas os tomates seria um elemento raro em nosso café. Eu o trouxe aqui, porque desde que vim morar na Europa não consigo mais viver sem tomates. Aqui em Barcelona, como em boa parte da Espanha, comemos muito Pan Tomáquet, como podem ver neste enlace http://cuscuznapanela.blogspot.com.es/2013/04/pan-tomaquet.html. As pessoas cortam o pão, besuntam de sumo de tomate e recheiam o pão da forma que melhor lhes convier. Eu fiquei tão apaixonada por esse procedimento, que sempre mantenho os tomates dentro de casa para poder ter um Pan Tomáquet a qualquer hora do dia, quando der vontade. Mas hoje, não segui com o pão do jeito que os catalães gostam. Os tomates estavam somente fatiados. Procurei seguir o exemplo da forma como os ingleses preparam o seu café. A experiencia que eu tive com o British Breakfast foi a de tomates cortados ao meio e mais ou menos tostados, ao lado dos cogumelos e dos ovos fritos.

Quando estive na Inglaterra, a forma como eles comem realmente me cativou ao ponto de a disposição dos alimentos no prato estar muito parecido com os pratos de Breakfast que eu comia nos restaurantes e padarias. Neste prato, no entanto, não temos os tomates tostados e eles estão em rodelas. A minha intenção ela colocá-los no meio dos pães, besuntados com azeite e um pouco de molho shoyo.



Ingredientes para este café simples:
Um ovo.
Quatro fatias de queijo. Usei Mezcla Curado.
Um tomate.
Duas rodelas de salame.
Dois pães de fõrma.


Os procedimentos utilizados para o café eu não registrei porque são muito fáceis de fazer.  É só separar uma parte dos itens acima e dispor no prato, como mostro na figura 1. O que me interessa aqui é mostrar como mesclamos nossos ovos.

Aqui na Catalunia, o costume é de fazer "Huevos Revueltos". Eles pegam cerca de dois ou tres ovos, batem a gema com a clara juntos, em um recipiente separado e, como um omelete, dispõem a mistura em uma frigideira com azeite. Em geral, não usam manteiga para nada. Até para os ovos, o uso é de azeite. O resultado visual dos huevos revueltos é algo parecido com uma panqueca. Quase nunca os ovos são só ovos. Em geral, são ovos com frango, com batatas, com brócolis, etc.

Nosso ovo aracajuano, do nordeste brasileiro, tem só ovo, manteiga e sal. Dispomos de uma frigideira quente e um pouco de manteiga.


Quando está um pouco derretida, acrescentamos uma pitada de sal e colocamos o ovo. Depois, mesclamos sem parar.


O resultado é esse aí. Uma mistura de cores. Meio branquinho, meio amarelinho, gema e clara se misturam de uma forma disforme, meio desorganizada, mas ainda assim, muito saboroso. Pronto para ser comigo com pães, tomates, queijos e salames, e uma aromática xícara de café.

Benditos Crepes

Na semana que fiz esses crepes, receberia uma visita de uma pessoa querida. Pablo é um espanhol que eu conheci no Rio de Janeiro. Embora sua residëncia seja no Brasil, quando tem férias de suas atividades sempre dá uma passadinha pela Península Ibérica, a fim de rever sua família. Conheço o Pablo há dois anos. No primeiro ano de amizade, eu o via sair do Brasil em direção "além mar" para visitar sua família. No segundo ano de amizade, e desde que vim morar em Barcelona, sempre o vejo quando ele está "além-mar". Bom, sempre, sempre não, porque no final só foram duas vezes. Duas vezes de férias e duas vezes de visitas. 

Da primeira vez que encontrei o Pablo aqui na Espanha, foi em Madrid. Me fez o convite de passar dois tres dias na cidade, passear e sair de festa. Quando isso aconteceu, era fevereiro, e chegava a fazer frio de 0 graus, durante a noite. No entanto, apesar da indisposição climática, que era grande, ele sempre se esforçou para me fazer comer o que na Espanha se tem costume de comer. Então, digamos que desfrutei bastante do Jamón, dos queijos, dos vinhos, das massas e comidas asiáticas, e mais do que tudo, do Churros com Chocolate. Assim, que chegamos em Madrid, meu amigo insistiu muito para que eu comesse o famoso Churros com Chocolate, como Desayuno. A ideia era que só fizéssemos isso uma vez, no primeiro dia. Mas digamos que o Churros e seu companheiro imbatível se tornaram nossos maiores companheiros naquelas manhãs frias de fevereiro. Bom, no meio do ano o Pablito estaria de volta e fiquei na ganas de preparar alguma coisa que ele pudesse gostar. Havia me dito que a visita seria pela manhã, por volta das 10h00 e me ocorreu que um café, um desayuno seria o melhor que eu poderia oferecer.

Daí que, Marcela com toda sua boa vontade compra um livro de receitas "El gran libro de la Cocina Española" para saber o que se come no café. Lá estava que, em geral toma-se café, té, ou chocolate, na xícara, tal qual tomamos, Pablo e eu, quando estivemos em Madrid. Até aí, tudo bem. O problema todo era que junto à bebidas, rolaria uns pães, ou croissant, ou churros. Bom, churros, excelente notícia, mas como eu faria churros?, pensei. Buscando em um sítio da Internet achei uma receita simples de churros para alegrar meu coração, mas ela me oferecia dois impedimentos. O primeiro era o fato de que eu teria que... fritá-los. Ui! Detesto fritura em grandes quantidades. Eu frito ovos, mas é sempre com manteiga e bem rapidamente. Fritar churros implicaria um cheiro de óleo por toda a parte, além daquele aspecto um pouco brilhante na comida que me incomoda muito. O segundo impedimento era o fato de que eu precisava de um bico especifico para colocar a massa e sair daquele jeito compridinho e com um furinho no meio. "Bom, veja só, não farei um churros de qualquer jeito. Não posso seguir adiante sem o furinho no meio para rechear...". E assim, decidi, alegremente, que aquela vez não seria a vez que eu serviria a alguém um Churros produzido na minha cozinha. A solução desse modo era trabalhar com substitutivos. Poderia usar bolos, tortas, galletas, etc. Mas eu não dispunha de nenhum destes em grande quantidade para encher a minha barriga e de um homem com mais um 1 metro e 80. Com o que tinha em casa, de ingredientes, só dava para fazer... Crepes! Claro, crepes!

No mesmo livro de cozinhas, que propunha churros com chocolate, pesquisa os ingredientes do Crepe e esquentei a frigideira. A ideia era faze-los de dois tipos. Um salgado, ou salgadinho... e outro doce. Em vez de churros com chocolate, pensava em servir Crepe com Chocolate. E assim, segui.



Essa é uma foto do meu primeiro crepe. Está aí, a massinha pouvilhada com Salsinha e recheado com folhinhas de rúcula, azeitonas e tomates frescos. Ele ficou bem saboroso, perfumado, e prático. Embora tenha esse brilhozinho aí do excesso de azeite, que tanto me irrita. Como foi minha primeira vez, perdoada estou!


O segundo, então, foi o Crepe mais esperado da manhã, o Crepe de Chocolate, que deveria substituir o Churros. Com a massa aberta, ainda na panela, recheei com Nutela, em grande quantidade, e dobrei a massa em tres partes. Ao retirar do fogo, polvilhei com Chocolate em pó. Uma parte do pó derreteu e a mescla do chocolate derretido com a parte em pó ficou assim.

O resultado dessa minha experiencia, de satisfazer um desejo do outro foi, "Muyyyyyy rrrrrriiiiico, Marcela. Mas eu acho que em vez de fazer um café espanhol, vocë fez um café da manha frances". "Hãn? Não entendi...". Bom, é que o Crepe é frances!!"

Na minha ansia de produzir um café da manha, tipico de uma região, e por não dispor dos aparatos suficientes, para seguir a regra da alimentação, propus adaptações. Adaptações que, no entanto, feriram a o hábito de um prato típico, espanhol. Eu com minha mente brasileira, sem entender muito bem as particularidades das vidas de outras gentes, cometo uma gafe. Veja que coisa! Mas no fim, tudo ficou bem. Os crepes ficaram gostosos, uma delícia na verdade e eu aprendi, que embora, tenhamos o costume de comer após levantar, alguns mais cedo outros mais tarde, comemos de formas diferentes, alimentos diferentes.